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SOLIDÃO OPCIONAL

Durante o início da década de 1990, tive a oportunidade de conhecer o cantor e compositor Antonio Carlos Belchior.
     Membro de uma família numerosa (23 irmãos), Belchior foi um dos destaques da chamada leva do pessoal do Ceará, composta também por Fagner, Amelinha e Ednardo. Época em que a música popular brasileira era de boa qualidade e o Estado do Ceará não se limitava apenas em revelar humoristas.
     Filho de pais pobres, naturalmente o sonho de conquistar um lugar ao sol, acreditava ser mediante a conclusão de um curso superior. Para ele não foi diferente. Ingressou no curso de medicina, mas a música falou mais forte dentro de si, levando o mesmo a abandonar a carreira universitária. Basta escutar a canção Tudo Outra Vez, para entender um pouco da história.
A teoria política aristotélica, defende que o homem nasceu para viver em gregário. Entretanto, há aqueles que buscam contrariar o aluno de Platão. Belchior foi um deles. A partir de 2007, optou por uma vida reclusa e consequentemente distante dos palcos. A solidão opcional de Belchior sempre foi algo misterioso. Talvez tenha encontrado uma Yoko, levando-o a acreditar que encontrou quem realmente lhe completasse, ou talvez, tenha percebido que artistas do seu quilate, infelizmente, quase não existe mais espaço na mídia brasileira, vez que, sua performance buscava
ir de encontro ao status quo. Em época onde pensar e discordar se tornou algo irrelevante, o filho de Sobral se viu obrigado em se afastar do que mais gostava de fazer, que era está ao lado daqueles que admiravam sua obra. Basta lembrar do saudoso Héber Fonseca que costuma dizer que Belchior era um artista que mesmo demorando a gravar, continuava com um público fiel.




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