Muitos ficaram
estarrecidos com a decisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal o Senhor
Marco Aurélio Mello por ter concedido em caráter de liminar a liberdade ao
ex-goleiro Bruno.
Condenado a 22
anos e 3 meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, por haver cometido
os crimes descritos nos artigos 121, § 2º, I, II e IV e 148, § 1º, IV, além do
211, todos do Código Penal Brasileiro. Acontece que a prisão do acusado em
caráter preventivo perdurava desde 2010. Assim sendo, a defesa do acusado entendeu
que o seu encarceramento sem o julgamento definitivo, estava aviltando o
princípio da razoabilidade. E a boa doutrina processual penal pátrio afirma
que: “a lista de direitos fundamentais violados cresce na mesma proporção em que
o processo penal se dilata indevidamente” (Aury Lopes Júnior). Ainda nos diz a
doutrina: “há, pois, que se ter por base uma respeitabilidade mínima ao homem
por parte do Estado e dos seus semelhantes, com a qual a dignidade se relaciona
e se concretiza”. Diante do exposto resta ao estado-juiz conceder ainda que de
maneira provisória a soltura do acusado.
Certamente, muitos
ficaram indignados com a decisão judicial. Esquecem que o papel do judiciário é
o de fazer cumprir a lei. Se defendermos o não cumprimento dela por parte da
justiça, estaremos abraçando o desrespeito as ideias democráticas e republicanas.
Conhecido por
muitas vezes emitir opiniões que contrariam a vontade social, o Ministro Marco
Aurélio Mello recebeu a alcunha pelos próprios colegas de “voto vencido”, onde
não raras às vezes seu posicionamento se divorcia dos demais companheiros da
Casa. Mesmo assim, em uma entrevista o repórter o indagou como se sentia,
quando votava diferente do “clamor” das ruas. Sua resposta foi emblemática:
“faço parte de uma Casa de Ciências jurídicas e não de Relações Públicas”. A
postura que boa parte da sociedade tem adotado com relação ao ex-goleiro é no
mínimo contraditória. Afirmam que é necessário recuperar os apenados, no
entanto, fecham todas as portas para que isso ocorra. Se dizem religiosos, mas
não sabem perdoar. Na verdade, querem uma pena perpétua. Mas é como bem disse
Carnelutti: “Deus perdoa, a sociedade não”.
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