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DESCULPAS DE ALDIR

     No dia 01 de agosto do ano em curso, ocorreu no Seminário Presbiteriano do Norte (SPN), o lançamento do livro Lideranças Protestantes: Ensaios Biográficos. Seus organizadores são os professores Newton Darwin de Andrade Cabral, Ester Fraga Vilas- Boas do Nascimento e José Roberto de Souza.
     Um belo dia, recebi um e-mail do professor José Roberto de Souza para que escrevesse um dos capítulos, justamente o que tratava da trajetória do Bispo Robinson Cavalcanti. De imediato tive a consciência de que era uma honra escrever algo a respeito do meu maior amigo. Acontece que o tempo foi passando e as cobranças por parte de José Roberto para entregar o capítulo era algo quase que rotineiro. Diante da cobrança, ficava tentando desculpar-me por não haver entregue o capítulo. Foi quando ele propôs que em parceria com o professor Maurício Amazonas escrevêssemos o tão esperado capítulo, mas mesmo assim a proposta não logrou êxito e Maurício acabou escrevendo sozinho e de forma elegante fez menção ao meu nome. 
     Recordo-me que certa vez, Aldir Blanc agradeceu ao Jô Soares a paciência da produção do seu programa com relação as desculpas que ele dava para não ir ao programa. Guardada as devidas proporções, José Roberto sempre interpelava quando chegaria em suas mãos o capítulo e assim como Aldir Blanc ficava dando desculpas, na verdade, o silêncio era a minha resposta. Só agora, resolvi revelar o motivo que fez com que eu não escrevesse, nem mesmo em parceria com Maurício. O fato é que não estava preparado emocionalmente para falar de um amigo que morreu de maneira trágica. Falar de Robinson Cavalcanti é lembrar do grande intelectual que era, sem deixar que a soberba tomasse conta da sua vida. Falar de Robinson Cavalcanti é falar de alguém que soube muito bem ser cristão em locais onde muitas vezes era totalmente adverso ao que ele professava, sem jamais se tornar um “agente secreto de Cristo”, pelo contrário, até a indumentária eclesiástica procurava sempre usar. 



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