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LOTEAMENTO BRASIL

     A história nos ensina que a velha Roma já praticava o nepotismo. O grande Platão buscando encontrar um caminho para evitar essa prática, defendia que a criança fosse educada longe da família. Acreditando ele, que o grande privilégio que se tinha, era exercer a cidadania na pólis de maneira ilibada. O fato é que, a meritocracia sempre foi algo difícil de ser praticada, embora sua aplicabilidade enalteça a verdadeira república.
      Segundo Sérgio Buarque, no Brasil não existe espírito público, mas apenas espírito privado. Talvez isso explique o critério adotado para escolha daqueles que vão exercer algum cargo público. Embora o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) alardeasse pelos quatro cantos do país de que iria criar um super ministério, não foi o que ocorreu. Na verdade, o que se tem é um loteamento do espaço público. A velha prática da distribuição de cargos aos aliados, foi o que prevaleceu, onde com raras exceções, encontramos quem realmente esteja antenado com a função que lhe fora incumbida.

     As velhas práticas do apadrinhamento e do toma lá dá cá, ainda permanecem na agenda da política nacional. Acreditar em republicanismo e em democracia com práticas oligárquicas, onde alguns possuem uma biografia maculada, é querer muito. O que tem imperado não são as prioridades para a saída do atoleiro em que se encontra o país, o que se assiste é a ressurreição das capitanias hereditárias, com vestígio de uma falsa pós-modernidade. 

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